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Passei umas boas duas horas navegando pelo site do Marcelo Tas, ouvindo e vendo as entrevistas do seu heterônimo Ernesto Varela, que eu admiro há muito tempo, e, claro, dando boas risadas. O cara é dez e vou dizer por que. Sua paródia de repórter - não tanto o do rádio mas o do vídeo - tem as qualidades exigidas para a Ascensão: a inocência e a curiosidade de uma criança, a coragem dos que nada temem perder, a sagacidade de uma serpente e a mansidão de um cordeiro. Ernesto Varela quer apenas... saber. E não deve nada a ninguém, nunca deveu, o que nos leva ao dístico da pagina de entrada do site do Marcelo Tas: "Finalmente, virei o Roberto Marinho de mim mesmo". Observação esta que resume toda a potencialidade da Internet enquanto multimídia.
Não deixe de assistir ao "Trailer de Perguntas", ao vídeo sobre as "Diretas Já" - e pensar que eu, ainda moleque, fui a um desses comícios - e à reportagem sobre "Serra Pelada" (que está no lugar de "O Drible"). No primeiro há uma pergunta inteligentíssima ("qual a sua próxima jogada?"), no segundo uma declaração dadaísta do Henfil e, no terceiro, um comentário impagável: "o expediente aqui é muito duro". Ao fim dessas entrevistas, dá pra perceber quem pariu os repórteres do Casseta & Planeta. Aliás, as matérias feitas para a rádio 89FM também são ótimas, principalmente a da "adevogada" do Vicente Viscome. (Qualquer semelhança com o estilo do Cazé não há de ser mera semelhança.)
Ah, um detalhe interessante: quem conhece o Varela sabe que ele passa todo o tempo se dirigindo ao "Valdeci", seu cinegrafista. Pois é, um dos "Valdecis" que costumava acompanhar Varela não era outro senão Fernando Meireles, diretor de "Cidade de Deus". Junto a outros video-makers foram responsáveis pelos trabalhos da produtora Olhar Eletrônico. {moscomment} |