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A esposa de Jesus Cristo PDF Imprimir E-mail
Por yuri vieira   
22 de junho de 2006

Meu amigo Daniel Chistino, que colabora n'O Garganta de Fogo, tem toda a razão: eu também sou um herege. Mas já que, além de ser herege, também sou presunçoso posso dizer: sou herege apenas para quem ainda não aceitou o novo upgrade da Revelação Divina, o que evidentemente é muito diferente da heresia de perverter a Tradição por não tê-la compreendido. Porque, engulam ou não engulam os ateus e agnósticos, e menos ainda as diversas espécies de crentes de não importa quais doutrinas tradicionais, Deus não pode se revelar por inteiro, duma só vez, a nós paupérrimos terráqueos. "Não atire pérolas aos porcos", já dizia nosso Mestre e Senhor deste Universo. Por isso, a Revelação, isto é, o download de informações, ideais, valores e conceitos divinos, só vai sendo feita na Terra aos poucos, de acordo com a capacidade de processamento médio das mentes mortais. O Corão já criticava, desde o século VII, aqueles que, ao ouvirem novas revelações, ousam dizer: "fábulas dos tempos antigos" (Corão 6:25). E olha que o Corão não passa de um patch de segurança para mentalidades tribais que ainda se encontram muito abaixo da visão de mundo judáica...

Bem, tudo isso é para dizer que, à luz do Livro de Urântia, nada mais ridículo, estúpido, canhestro e insensato que toda essa preocupação e balbúrdia em torno de O Código Da Vinci, de Dan Brown. Protestar contra esse livro? Exigir sua proibição? Ou ainda pior: dar-lhe um crédito para além da categoria entretenimento? É incrível como as pessoas dão atenção às coisas erradas. Dá pena. Mas, por outro lado, preciso dar um desconto: não seria eu mesmo engambelado por essa história boba caso não tivesse feito meu próprio upgrade da Revelação? Afinal, nada parece mais imprescindível, para o homem de mente rasteira, que a necessidade de enfiar o pau numa vagina antes de cair morto. Ou ainda: antes de que seja crucificado até a morte. Logo, é impensável, para esse escravo da "cabeça de baixo", que alguém tão inteligente, fantástico e superior como Jesus Cristo também não o tenha feito. "Ah, ele comeu 'com certeza' a Maria Madalena, já que, em sua época, devia ser a mais inteligente, caliente e interessante mulher das redondezas..." Bem, diante de A Última Tentação de Cristo e, mais ainda, diante da antiga sociedade secreta que se criou em torno da idéia de que o Graal era o útero da Madalena (puts!), nada nesse livro é novidade. Menos novidade ainda é essa tendência, da mente rasteira, de não conseguir avaliar certos conceitos e categorias a não ser rebaixando-os ao nível material, ao mundo palpável e aparentemente sólido. Aliás, é incrível a quantidade de livros e filmes de ficção onde o sobrenatural é sempre um problema a ser resolvido, ou até mesmo difundido, por mecanismos puramente materiais. Como se este mundo estivesse acima de todos os demais. São tantos os exemplos que nem me darei ao trabalho de citá-los. No caso presente, que é o cúmulo dos exemplos possíveis, a idéia da imortalidade do Cristo é vinculada à perpetuação dos genes de Jesus através de seus descendentes. Seria cômico - não fosse patético.

Antes de mais nada, sim, Jesus foi tentado de todas as formas que conhecemos. Sim, chegou a se deparar com a questão dum possível matrimônio, mas não com Maria Madalena, e sim com Rebeca, a filha de Esdras, que, mesmo não tendo sido aceita como esposa, o seguiu até a crucificação. Enfim, Jesus não casou com ninguém, não comeu ninguém, ponto. E isso não porque fizesse parte do staff do Casseta & Planeta, ou porque fosse um monge assexuado, mas simplesmente porque tal escolha nada tinha que ver com sua missão na Terra. Além disso, vale lembrar, antes mesmo de que o globo terrestre se formasse, já era Ele um "homem" casado. Ria se quiser. A questão é que, quando se tornou o Filho Criador do Universo, o Cristo aceitou como consorte uma Filha direta da Terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Infinito (ou Santo). Sua esposa, portanto, não é outra senão o Espírito Materno do Universo, que o auxilia na administração espiritual dos seus domínios, sendo também ela o ponto de conexão dos circuitos de influência espiritual do Universo Mestre com o Universo Local, e deste com os diversos mundos que o conformam. Se Cristo não traiu ao Pai Celestial, muito menos trairia sua amada consorte.

Enfim, que os neurônios dos que vêem algo mais que entretenimento no livro de Dan Brown queimem no inferno cerebral de sua própria manezice. Cansei de vocês. :-P

 
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Sobre o autor...
Yuri Vieira, 35, é um escritor e cineasta paulistano. Estudou na Universidade de Brasília - onde cursou cinema com Nélson Pereira dos Santos - e residiu durante dois anos com a escritora Hilda Hilst (de quem foi secretário e webmaster). Publicou seu primeiro livro A Tragicomédia Acadêmica - Contos Imediatos do Terceiro Grau em 1998 e, em Abril de 2007, dirigiu seu primeiro curta-metragem de ficção, Espelho, que recebeu o prêmio de melhor direção do 3.o FestCine GYN. É ainda colaborador dos sites Digestivo Cultural e O Expressionista, além de editar o blog coletivo O Garganta de Fogo.
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