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"Credo, gente, que maomezeira, hem?"
"É a maometização da imprensa, diria o Zé Simão".
"Não, é a das consciências", diria eu.
Porque, cá entre nós, acho uma ingenuidade ver algo de positivo nessa reação dos iranianos, essa de criar um concurso que premiará as melhores charges tendo como tema "o Holocausto". Pois é desproporcional. (!) Bem menos do que antes, claro, mas ainda é. Eu sei, não parece, afinal reagir com caricaturas é melhor que responder com bombas, está no mesmo plano de realidade e tal. Mas se os Ocidentais tiraram o sarro do Maomé, o mais lógico seria os caras, tal como na caricatura do France Soir, tirarem o sarro ou de Jesus ou de Moisés, não do Holocausto. Ao optar por este último, só mostram o quanto são malucos perigosos. É covardia contrapor um ser pretensamente divino a meros mortais. No fundo, sabem que os Ocidentais sabem rir de si mesmos e que, se eles, muçulmanos, tirassem o sarro do Senhor do Universo, ficaria tudo na mesma. Se Jesus não se deixou abalar nem mesmo por uma crucificação, uma caricatura então seria fichinha.
A oposição que eles fazem é muito nítida: "Maomé X judeus", "Maomé X ocidente", "Maomé X EUA" (outro tema do concurso é "a opressão americana no mundo"), ou seja, no fundo o profeta deles não tem nada de transcendental, pertence apenas a este mundo, como todos nós ocidentais ou povo judeu ou americanos. Daí não haver sentido, para eles, opor Maomé a Moisés ou a Cristo. Esses radicais apenas tornaram o islamismo rasteiro e nada mais. Muito embora haja gente que veja o islamismo como intrinsecamente rasteiro...
Enfim, sobre o caso, o melhor artigo mesmo é o do Reinaldo Azevedo, Maomé e os covardes.
O resto é papo de quem ainda não entendeu o que realmente significa esse pretenso "choque de civilizações".
P.S.: Eu sou mais é essa caricatura aqui. |