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Vai tocar, Wagner Tiso! PDF Imprimir E-mail
Por yuri vieira   
09 de novembro de 2005

O músico Wagner Tiso, em entrevista ao jornal O Globo, provou que como pensador político é um ótimo músico, muito embora eu, com meu quê de João Cabral de Melo Neto, que não gosta de música (gosto sim), não saiba citar sequer uma de suas composições. Imagino que o cara seja na verdade um entrante, isto é, o Wagner original desencarnou e cedeu o porco, digo, o corpo para a falecida Velhinha de Taubaté, que hoje o habita. Do contrário, como explicar que, após tantas denúncias e testemunhos (incluindo o do governador de Goiás), o cara ainda acredite que o PT não se envolveu com corrupção e ainda tenha a manha de afirmar que voltará a votar no Lula? E chega a defender o governo alegando que nosso grande estadista aumentou a distribuição de renda, diminuiu a fome e todas essas mentiras que a publicidade petista tenta nos impingir. Incrível, chega a ser hilário. Ele só admite que o PT tenha manuseado - eu diria encuecado - R$55 milhões para molhar a mão de partidos aliados durante a campanha, o que para ele é perdoável, já que se tratava de verba com "destinação política".

(Para os "social-istas", executar alguns milhares por motivos políticos é também bastante justificável, já que tal ato, por eliminar os inimigos da utopia, supostamente "beneficia" a maioria, o "coletivo". Aliás, justificar tudo pela causa política é justamente a principal característica dos totalitaristas. O cubano José Dirceu, por exemplo, é gente booooa simplesmente porque não roubou para si, mas para bancar um futuro lindo governo autoritário que pretendia unir-se a Chavez e Fidel. Que bonzinho. Falam tanto da biografia do José Dirceu - sua bela carreira - que acabei editando-a todinha no Word e imprimindo-a no papel higiênico aqui do estúdio...)

E Wagner Tiso segue a linha de que o "pobrema" do PT, sua sujeira, advém do "sistema." Windows? Linux? Ah, sim, o "sistema político", aquele perverso que decidiu dominar o país na forma de um Reich de 20 anos. (Ou será que confundi as bolas, digo, as estrelas?) Parece aquele esquete do grupo Monty Python, "ah, a culpa não é minha, é da sociedade, foi ela que me obrigou a isso", ao que segue o corolário: "então tá, foi a sociedade, vamos dar um jeito nisso, a senhora pertence à sociedade? sim? então está presa, e o senhor? é, o senhor aí de cadeira de rodas, faz parte da sociedade? sim? então está preso também" e assim por diante, até que toda a sociedade vai parar na cadeia deixando o bandido "preso" de fora, algo ao estilo O Alienista.

E Wagner Tiso prossegue com o delírio: "O mensalão é uma fantasia", diz ele. Uma fantasia dos Irmãos Metralha, faltou dizer, uma para cada membro da gangue, sendo a do Lula acompanhada por boné, claro. E que tal uma fantasia também para o Wagner Tiso? Não, não se trata de prendê-lo por emitir uma opinião, Deus me livre, viva a liberdade de expressão. Mas acontece que a idéia do Woody Allen de obrigar todos os políticos e funcionários públicos a usar uma fantasia de galinha é muito pouco para o Brasil. Essa turma do PT, já que pelo jeito permanecerá impune, deveria ao menos ser obrigada a se vestir de Irmãos Metralha, incluindo todos seus militantes, fãs e inocentes úteis do tipo Wagner Tiso. Ou não tão inocente assim, uma vez que quem afirma que "o governo passa, o PT fica, nesse sentido, o partido é mais importante que o governo" já diz a que veio.


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Sobre o autor...
Yuri Vieira, 35, é um escritor e cineasta paulistano. Estudou na Universidade de Brasília - onde cursou cinema com Nélson Pereira dos Santos - e residiu durante dois anos com a escritora Hilda Hilst (de quem foi secretário e webmaster). Publicou seu primeiro livro A Tragicomédia Acadêmica - Contos Imediatos do Terceiro Grau em 1998 e, em Abril de 2007, dirigiu seu primeiro curta-metragem de ficção, Espelho, que recebeu o prêmio de melhor direção do 3.o FestCine GYN. É ainda colaborador dos sites Digestivo Cultural e O Expressionista, além de editar o blog coletivo O Garganta de Fogo.
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