Início arrow Artigos e crônicas arrow Política e economia arrow Sinhozinho Lula

Sinhozinho Lula PDF Imprimir E-mail
Por yuri vieira   
17 de junho de 2005

Lemos na página de notícias da Terra:

Segundo [o deputado Roberto] Jefferson, Dirceu "é o chefe do maior esquema de corrupção que eu vi nos últimos anos. Já o presidente Lula é um homem de mãos limpas e honrado", defendeu Jefferson.

O que mais me espanta nessa declaração - além de ter sido feita por um homem capaz de misturar, em menos de meio minuto de discurso, grandes omissões e terríveis verdades - é a semelhança com o que foi dito sobre o próprio ex-ministro José Dirceu quando da revelação do escândalo Waldomiro Diniz: "Ah, pobre Dirceu, foi traído, não sabia de nada..." Na ocasião, escrevi uma pequena crônica - Sinhozinho José Dirceu - a qual tomei a liberdade de parafrasear quase que letra por letra, tomando o cuidado de substituir o nome de Waldomiro pelo de José Dirceu e o deste pelo de Lula. Ficou assim:

Na novela Roque Santeiro, o famigerado Sinhozinho Malta costumava despachar Terêncio, seu capanga, para a execução dos mais diversos crimes sem jamais falar diretamente sobre suas intenções. Limitava-se a fazer a caveira de algum inimigo, enumerando todas as vantagens que teria se o "cabra" jamais tivesse nascido. Terêncio devolvia: "O sinhozinho num quer que eu mate ele? Posso estripar o sujeito agora mesmo", ao que o coronel contestava: "Num me digue nada, Terêncio, num me digue nada!", e agitava as inúmeras pulseiras feito chocalho de cascavel.

Pois é, alguma coisa me diz que o presidente Lula pode ter pleno conhecimento dessa forma de, como diriam os zen-budistas picaretas, "não-ação". Não me refiro a assassinatos, é claro. Mas, atuando como sinhozinho, tecnicamente ele não teria mesmo culpa do que quer que seja. E sempre poderia, como o próprio sinhozinho Malta, jogar posteriormente toda a responsabilidade sobre seu sequaz. Afinal, onde estaria a ordem positiva? Onde estariam os vestígios do "faça isso"? Num tribunal, à pergunta de se recebeu ou não ordens diretas de Lula, Dirceu só poderia responder: "Não". (Talvez todo esse procedimento tenha sido parte do treinamento em Cuba, não é? O próprio Dias Gomes, autor da novela Roque Santeiro, devia entender bem dessas coisas.) Enfim, até posso imaginar o Lula lamentando-se para seu agora ex-ministro: "Ah, Dirceu, que pena, os deputados não estão querendo votar com o governo..." E o outro: "sinhozinho, se o senhor quiser, eu posso pegar aquele dinheiro e..."

"Num me digue nada, Dirceu, num me digue nada...", e o olhar dizendo tudo.

Mais um ponto para a intuição da viúva Porcina, quero dizer, da Regina Duarte...

{moscomment}
 
< Anterior   Próximo >



Menu principal
Início
Blog
Artigos e crônicas
Contos
Poemas
Cartas
HQs
Todos os textos
Meu curta-metragem
Pesquisar
Livro de visitas
Opiniões alheias
Outros autores
Livros online
Mais lidos
Textos recentes
AdSense
Itens relacionados
Login





Esqueceu sua senha?
Sem conta? Crie uma
Sobre o autor...
Yuri Vieira, 35, é um escritor e cineasta paulistano. Estudou na Universidade de Brasília - onde cursou cinema com Nélson Pereira dos Santos - e residiu durante dois anos com a escritora Hilda Hilst (de quem foi secretário e webmaster). Publicou seu primeiro livro A Tragicomédia Acadêmica - Contos Imediatos do Terceiro Grau em 1998 e, em Abril de 2007, dirigiu seu primeiro curta-metragem de ficção, Espelho, que recebeu o prêmio de melhor direção do 3.o FestCine GYN. É ainda colaborador dos sites Digestivo Cultural e O Expressionista, além de editar o blog coletivo O Garganta de Fogo.
Leia mais...
 
Use AdSense

Firefox

Gostou?

Technorati

Add to Technorati Favorites
Skype Me

Skype me
Syndicate

RSS do Blog
RSS do AudioBlog
Creative Commons

Licença Creative Commons
Total de visitas

† 2000 - 2008 Yuri Vieira dos Santos. Some rights reserved.
Powered by Joomla!.